quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Eu deveria estar arrumando meu quarto, mas a ânsia de escrever nisso aqui é mais forte. Como se comprasse um novo caderno! Aquela sensação de ver as folhas e pautas nuas e querer fazer com que a caneta tire essa "virgindade" que se instala. Apesar de não ter o que postar nesse momento, vou deixar um poema de novembro...

Desata-me

Desata esses nós
O teu peito não pode mais
Ficar tanto tempo vazio
Todos nós, meu bem, todos nós
Temos um infinito de mistérios
E não podemos nos prender.
Desata com os nós, os cadarços
E deixe que seus pés sintam o concreto
O ser humano mesmo sem asas
Alcança o céu e caminha macio
Ao lado de tempestades.
Desabotoa também a camisa
E mostra que sua pele cura cicatrizes
Mostra que ela é capaz de sentir dor
Mas sentir meus dedos em afagos
E que teu coração dispara como canhões...
Despe também dessa tua bermuda
E mostra que a carne também fala por você
Que a tua carne grita e que deseja possuir
O que tem de ausente, o que te falta.
Depois de desatar, desabotoar e despir
Deita aqui ao meu lado...
Faz o silêncio com as mãos
Faz silêncio com a tua boca
E me ensina a dormir...

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