quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Para ler numa só respirada.

Não me leve a mal pelo que vou dizer, mas: hoje não te quero mais. Chega desse meio-sorriso quando me vê entrar, desse uísque para eu beber. Não quero mais esse cigarro para tragar, não posso mais meu senso perder. Desculpa por tudo aquilo que não vou te dizer, mas a minha paixão preciso calar... Não sou mais capaz de olhar esses seus olhos morenos, nem ouvir esse tom grave, malandro, sorrindo no meu ouvido. Suas mãos tocando minhas pernas, minhas cintura, minhas mãos e tudo aquilo que é meu e somente meu. E também não quero ouvir essas mesmas mãos tocando esse seu violão.
É... Não me leve a mal pelo vou dizer, mas hoje não te quero mais. Chega desse meio-carinho, desse meu apelidar, dessa fala preparada. Não quero mais esse silêncio para se ouvir, não posso mais gemer calada. Desculpa por tudo aquilo que não vou te dizer, mas é que já estou quase sufocada... Não sou mais capaz de não sorrir, quando distraída. E de querer esconder toda essa alegria por qualquer gesto seu, provocada. E de rir, baixinho, nervosa, pelas minhas bobagens ditas... e de sentir as trêmulas pernas, desassossegadas.
Por favor, não me leve a mal... mas é que hoje... eu te quero demais... Chega mais perto de mim, porque já não...
E sem você... eu não posso mais... e com você... eu quero mais... e eu já não consigo me conter... Porque essa vontade não sacia. Já tá virando maldade, revelia... Ai... você: essa maldita agonia!

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