terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eu vim do mar.
Finquei, como bandeira, meus pés na areia.
Com o tempo acostumei-me à falta de sol e vento, ao conforto de uma morada fixa.
Deixei a meninice das noites enluaradas, a cantoria ritmada às palmas amigas, pelo conforto solitário da meia-noite de um quarto escuro. Costumava ser a menina do vestido branco, quase lenda, percorrendo em sorrisos a fantasia dos que me viam. Diziam que eu não era humana, era personagem de Jorge Amado, libertada das páginas amareladas às quais não me cabiam mais. Confesso que gostava dessa imagem...
Porém, o tempo passou e com ele também fui. Afoguei de alguma forma aquela frágil figura, quase ciganinha de tão solta e me rendi ao silêncio adulto cotidiano.
Fiz da terra minha morada. Sequei-me em clima árido. Construí pontes para não mais mergulhar.

Amanhã, retornarei à praia de onde vim e quiçá, sentirei-me noiva de pescador desaparecido. Quiçá me reencontre.

Contudo hoje, opto por dormir, apática, em minha cama de apartamento.

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