sábado, 31 de maio de 2014

A história contada pelos macacos

Era um sonho lúcido. Em sua primeira imagem havia uma casa, na qual eu morava, alagada em volta, como se a cidade tivesse sido submersa por grandes ondas. Eu saía do quarto e ia nadando até o meio de algo que não lembro bem o que era. Olhava para o horizonte e via um céu azul claro, com vários balões coloridos sobre aquela imensidão índigo das águas. Senti imensa vontade de fotografar essa imagem, porém lembrei que sonhava e não seria possível retirar dali qualquer coisa que fosse táctil. Nessa realidade, era futuro e a raça humana não fazia mais parte da soberania animal, no sentido de ocupar a terra com suas construções e grandes tecnologias. Havia sido descoberta a consciência animal e uma forma de fazer com que a linguagem entre todos os animais fosse compreendida. Cada bicho passou a ter seu espaço, embora pudessem conviver em harmonia. Nessa casa, eu tinha como amigo-irmão um cachorro. Era curioso, ele ia à escola e eu não, pois minha família não tinha como mandar ambos, por questão econômica e eu já tinha quinze anos. Outro fato interessante, foi a bronca que tomei de minha mãe ao ter adoçado o chá da tarde. Adoçantes eram expressamente proibidos nessa sociedade e o açúcar era extremamente raro e difícil de encontrar. Não lembro por que motivo, eu morria de medo de outros humanos. Às vezes da minha janela, eu os via passar, mas tremia com a possibilidade de receber a visita de alguém, o que era comum. As casas eram abertas às pessoas e bichos, pelo menos nesse lugar em que eu morava. Havia momentos em que eu ficava confusa, sabendo que tudo aquilo era um sonho, achava que tinha sido inspirado por um filme que não vi, mas talvez tenha ouvido falar. Acordei, procurei no Google e tudo tinha sido devaneio de um sonho lúcido.

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