sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Envelhecer
Imagino como seria despertar num dia qualquer, como se estivesse à beira de um abismo cercado de névoas, sem ter qualquer noção de como chegara até ali. Sem memória ou identidade. Talvez apenas sem memória, porque, em certo nível, ela mesma se torna a identidade de alguém. Somos uma construção daquilo que fizeram conosco e daquilo que decidimos fazer no momento seguinte. A memória é a linha que costura fatos e sentimentos. Imagino o vazio de pequenos lampejos de vida: os nomes de conhecidos, situações, amores... tudo perdido entre os precipícios do nada. Lampejos de memória são lampejos de vida.
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