Fechando os olhos, vendo minha infância, lembro das noites na fazenda. Meu primo e eu, pequenos, dormíamos no carro como quem não aguenta esperar Papai Noel... Quando chegávamos, alegria que só! O lampião era aceso e ouvíamos assustados as histórias que os adultos contavam pra nos meter medo. Tudo tinha um cheiro de natureza tão gostoso, misturado com a fuga da cidade grande! Lá tínhamos o contato com a terra molhada, aprendíamos músicas de roda e adultos e crianças se misturavam de tal forma que se não fosse a própria forma, não diferenciaríamos quem era quem. Quando amanhecia, os primeiros raios da manhã beijavam nosso rosto de maneira suave e acordávamos com um cheirinho bom de bolo caseiro. A mesa posta tinha leite quentinho de vaca e queijo da própria fazenda, além do bolo de fubá feito especialmente por Dona Mercedes.
Depois do café, cada um colocava sua roupa de banho, montávamos num cavalo e trilhávamos a caminho da cachoeira. Era gostoso sentirmo-nos abençoados por suas águas frias...Toda a atmosfera que nos guardava era boa, como se o tempo congelasse e vivêssemos como viviam nossos avós...
Toda uma luz de infância ingênua, prazerosa e natural... Como se não tivéssemos vergonha de sermos também bichos,que brincávamos na vida decifrando na meninice a verdadeira arte de viver...
2 comentários:
Legal. Algumas coisas do texto me lembram a minha fazenda e muitas das sensações que eu tinha quando pequeno. ^^
Que lindo, miga!
Infelizmente eu nao tive uma infância feliz desse jeito...
Saudades!
Beijoooos
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