Não me venhas com esse entusiasmo, essa vontade de me ter, de fazer com que eu seja tua. Não sou um troféu para colocares em estantes, nem sou brinquedo para que me prendas em baús. Minhas sutilezas não são bastantes para que aprendas a lidar comigo? Por que raios achou que seria tão fácil me apaixonar?
Pois que te revelo: Minha vontade secou. E não há mais nada que a faça voltar, porque não sou bebida para que o senhor, meu caro, beba com tanta pressa e satisfação.
Por que me convidas tanto para sair, se não percebe que o estarmos "a sós" não me agrada? A raiva que tenho em mim contida é saber que o teu pedantismo é tão grande a ponto de pensar que o erro está em mim. "Puxa, como assim esta menina não quer ficar comigo? Eu sou gato, todas as meninas gostariam de me ter."
Respiro fundo e engulo a seco minha raiva que disfarça-se em sorrisos para dizer-te agora: Engano, querido... engano...
Já haviam me aletado e eu, na minha vaidade tardia mal me dei conta que estava a prestes a ter que escapar de alguém como tu.
Sim, alguém como tu, meu benzinho... Que pensa que eu me derreterei com tuas cantadas mal-dadas que nem caras da rua me dariam.
Tu, que te mostras tão esperto, polido... Boa família vinda de não-sei-de-onde... Aprenda a lidar com mulheres e perceber sinais de "não".
O problema está em ti... E eu não gosto de ti...
A não ser que seja para manter uma conversa saudável numa distância mínima de três metros.
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