sábado, 19 de março de 2011

Essa madrugada não quero meus rabiscos nem deitar no travesseiro e sonhar com as canções que tentem falar por mim. A leitura de qualquer texto, trecho, não mais me agrada. E nem mesmo as conversas infindas, profundas, os segredos compartilhados vão me curar. Porque essa noite, quero repousar minha angústia diante do espelho. Analisar cada ruga, cada mudança. Quero perguntar quem foi aquela que se perdeu nesse corpo já tão diferente. Questionar quando foi que a idade me roubou toda aquela meninice, todos os sonhos, todos os colos que poderia deitar.
O sono tenta me tomar, mas não durmo. Observo-me com desaprovação. Quem eu era? Quem me transformei? O quanto de amor ainda me resta? O quanto de amor meus braços sentem falta de laçar?
Assim, passo toda a madrugada, numa eternidade silenciosa de dor, mergulhada em mim mesma. Num suspiro, sorrio. Nesse encontro, percebo que meus olhos não julgam mais e apreciam como se fosse mágica o efeito dos anos.
Minha solidão é companheira e vejo que estar só é bem melhor que a pressão do mundo lá fora.
As pessoas só se desgastam para os olhares insensíveis.. Quem olha para dentro, não envelhece: se transforma.
Cinco e quarenta e continuo sem querer música, livro, conversa. Entretanto, satisfaço-me agora com a agonia. Cantam os pássaros, tilintam xícaras, apertam passos... e durmo preenchida de silêncios.

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