Dentro das gavetas, pelos armários, num canto esquecido... Ela já havia procurado, sem desespero, por sua delicadeza.
E foi em vão até a madrugada, na qual ouviu pela primeira vez aquele saxofone. Desde então, sentira vontade de voltar aos vestidos simples, as saias de cigana e rodopiar nas areias junto com o som. Virar vento, mar, música.
Entendera que era inútil a busca por algo, que a invadiria, quando menos esperasse. Sendo assim, entregou-se àquela sensação única, mantendo em seu corpo, nos dias de chuva posteriores, a melodia que a fez sair de sua guarda.
Sentia-se, a partir de então, como parte das coisas, virando água em tempestades, claridade nos dias de sol e pó de estrelas no vazio da noite.
A menina que havia perdido sua delicadeza, ganhara agora o universo.
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