Colado na estante havia a figura de um estranho anjo torto, "Juan Pablo", lembrança do primeiro amor. Agora a madeira estava vazia, aguardando próxima gravura. Podia ser metáfora para o que acontecia em seu coração. Muitos passaram por sua vida, mas somente um havia marcado-lhe suficientemente para pôr aquela representação em seu quarto. Não. Houve uma segunda, o quadro chegou a ser pintado,"A cantora", mas por falta de memória, não se lembrava o porquê de não tê-lo pendurado. Jogou fora. Depois de tantos anos, quem diria, veio o terceiro amor. Precisava arranjar uma tela para colocá-lo em seu altar fictício de amores. Tinha mais ou menos uma ideia de como o iria retratá-lo: um Sherlock.
A estante não ficara nua por acaso.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
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