sexta-feira, 11 de julho de 2014

O caminhante noturno percorre o caminho iluminado pelos rastros da lua inflamada; satélite natural, mulher que menstrua em seu ciclo irregular. Ele pisa nas areias de uma praia repleta de penumbras de reflexos avermelhados. Em seu momento de sede e pausa, repousa a cabeça sobre os grãos de areias, enquanto seus olhos fixam-se nas constelações. Queria ele estar em outro lugar, pois seu ímpeto andarilho não é capaz de engendrar raízes. Por um longo momento, seus pensamentos são desconexos e ele fita a indecência daquela lua, plena, vermelha, quase ao revelar seu cio. Neste momento, o andarilho sorri ao perceber que ele também é aquela lua, e todo o universo, de certa maneira, está em si mesmo. Na fuga desesperada para o autoconhecimento, não percebera que ele, afastado das metáforas de gênero ou estigmas sociais, ele mesmo era a Lua, que de tão intensa, sangrava.
O caminhante noturno agora é apenas um vulto que reside no encarar de nossas próprias pupilas, quando estamos sós, em frente a um grande espelho.

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