terça-feira, 4 de junho de 2013

Seis horas da manhã e o sono que havia em mim partiu sem dizer adeus. Deixo que as músicas me toquem, enquanto sozinha, dialogo com fantasmas. Se as circunstâncias fossem diferentes, teria nas mãos café e cigarro e iria para a janela observar a transição do escuro em claro. Lembro que hoje é dia de trabalho e desisto momentaneamente de viver, embora não com a profundidade que as palavras podem realmente expressar. Penso nele, uma branda saudade deita-se ao meu lado, dando fome de abraço. Queria, talvez, ser a mesma de antes, cheia de frases doces e demonstrações exaustivas de carinho, mas não consigo banhar-me no mesmo rio que fui. Estou confusa, amedrontada, porém esperançosa. Amor é raridade, planta que se rega diariamente. Gostaria que ele soubesse que mesmo eu estando assim, ainda o amo infinitamente. A madrugada em que não se dorme é um espelho refletindo o próprio rosto, visto pelo lado interior. Preciso voltar ao sono, será que o novo despertador funcionará? A mente vai se mostrando cada vez menos veloz, imagens sem nexo cruzam-se entre as que me forço a sonhar, os bocejos aparecem. Ao longe, xícaras, passos, pássaros, a cidade acordando em seu passo lento. O sono retorna e carrega-me.

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