segunda-feira, 8 de julho de 2013
As horas passam, malditas, enquanto perpetuo o meu eterno não-dormir. O banho morno, o achocolatado quente, o atentar à respiração, tudo isso me parece sabedoria (inútil) popular, sem sentido. Num gesto, pego as pílulas mágicas, que resolveriam o meu problema em questão de hora, porém, penso melhor: quero aprender a fazer isso sozinha. Meus músculos estalam, sinto-me um peso de papel sobre a cama, enquanto os carneirinhos fugiram para a fazenda vizinha. Ouço músicas tranquilas e sinto vontade de quebrar a parede em pedaços. Neste momento, a agressividade me domina inteiramente. Raiva de tudo, mesmo sem motivo algum. Uma certa histeria circunda a madrugada e me percebo montada em solidão. Vejo-me triste, um pouco carente, procurando abrigo de alma em leitura vasta. Transbordo. Sem pensar em consequências reais, deixando-me apenas guiar pela vontade fictícia, gostaria de quebrar os meus próprios ossos. Quero amor, não sei pedir. Sei que o tenho, mas queria ouvir qualquer demonstração agora. Pesadelo é não dormir. Mente, ninho de vespa. O pensamento negativa-se e não faço esforço para elevá-lo ao nível saudável. Preciso de um abraço seu, não quero chorar. A respiração começa a ofegar, o coração acelera um pouco, os olhos se quedam úmidos. "Sou forte" repito a todo instante. Recordo suas palavras de carinho, todo o amor já demonstrado, vejo a nossa distância e choro. Odeio esse mar que reside em minhas pálpebras, salgado e intenso. Sou minha própria neblina. Paro. Congelo todo o mal; é necessário esforçar-me para sair deste estado. Hoje sonhei que ganhava um vaso de flores e um osso começava a crescer de dentro da terra, olhava para a minha perna e esta era perfurada pelo tal osso. Eu pegava um alicate, conseguia cortá-lo, entretanto a proeza era inútil: a pele rasgava-se mais e mais no movimento contínuo. Vou escrevendo tudo o que vai se manifestando em mim, na esperança que na pontuação última, consiga a almejada recompensa. Distraio-me com jogos, cinco e sete da manhã, o primeiro bocejo. Sinto muita saudade. Queria acordar com sua voz. Amo você e seu amor.
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