quarta-feira, 3 de julho de 2013

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Sou caramujo que constrói concha sob a pele. De aparência mole, parte de mim se oculta no interior de uma concha queratinada. Não quero mais dormir, tampouco, ficar acordada. Queria ser capaz de me transportar para outra dimensão e, embalada no completo silêncio passar semanas, meses ou anos. Enquanto no tempo da Terra, passariam apenas segundos. Ninguém saberia que fiquei numa bolha, flutuando pelo universo. Choraria todas as lágrimas. Beberia o rio que se formaria delas. Sinto-me um peso para todos os que me amam, com minha tristeza latente, que nem sei de onde vem. Estou sempre a agir, falar de modo errado. Lá, não incomodaria ninguém, nem teriam com o quê se preocupar. No deserto total, não diria palavras erradas, não haveria palavras, somente o eterno vácuo.

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