terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Coloca-me no colo e deixa que eu permaneça em silêncio. Deixa que as minhas lágrimas caiam e corram até o mar. Isso é postura de menina e não de mulher, eu sei. Permita-me que eu seja menina. Permita-me que eu coloque o mar em mim e o desague por completo. A vida é breve, vida é pluma e o que se leva é nada. Nós somos pequenas partículas de poeira perante o infinito do universo. Deixa-me ser o pó que restou das estrelas. Quero ser ácaro-bailarina que de tão pequenino pode sentir o que quiser, pois ninguém o nota. Às vezes, seduzo-me com a ideia de morte pelo não-mais-ser. Porém, não quero deixar de ser. Eu quero ser o que sou. O que sou? Também não sei. Quero sentir-me embalada, imaginando estar protegida por um abraço enquanto canto cantigas e ficar nesse momento até dormir. Mas, acorda, mulher! Os braços foram mutilados, na sua idade não se pode mais chorar, tais fricotes não são permitidos. Resta-te apenas acordar e seguir em frente.

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