quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Na beira do mar, vem com seu passo ritmado e pés descalços. Sua pisada é firme, pois enfrenta o que for preciso. Não é que não tenha medo, mas aprendeu desde muito cedo que se se deixar dominar, é matar ou morrer. Graciosamente inicia sua dança de ventos, enquanto seus braços vão girando como duas ventarolas.  Levanta um pouco a barra de sua saia para que as ondas não a lamba por demais. Pouco a pouco, o céu antes claro, escurece em nuvens frias, cor de chumbo. Prenúncio de tempestade. O mar perde sua coloração verde-azulada e procelárias se aproximam. Ela ri e seu sorriso aumenta o turbilhão de tudo. As águas adquirem caráter de fera e o movimento é tal qual um felino que brinca com a presa antes de devorá-la. Qualquer desavisado que passasse por aquela praia, poderia crer que ela trazia o caos. Entretanto, seria apenas ilusão: era o equilíbrio da natureza, em sua força vital.

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