segunda-feira, 27 de maio de 2013

Quero entregar-me ao cinza, cor agora eleita favorita. Quero atravessar as nuvens de um dia sem sol e chover sobre a cidade. Desejo esquecer da efemeridade do tempo e dançar descalça sobre o asfalto molhado, enquanto desato os nós do vestido, cantarolando algo que ninguém mais ouvirá. O silêncio da madrugada cuidará que todos durmam e neste momento, deixarei a rua para trás, aproximando-me da areia. Como se fosse incorpórea, entrarei nas águas, sentirei as correntes e o gélido na espinha. Voltarei do mar, renovada, deixando para trás todo o peso do passado que jamais voltará. Serei pluma levíssima, bailarina. Serei aquela que renasceu num batismo natural feito de sal.

Nenhum comentário:

Arquivo do blog