quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A tarde caiu doce, apesar de cansativa. O retorno à casa revelava uma paisagem que, do ônibus, mostrava-se ainda mais bela. O céu tinha a cor cinza-chumbo-azulado, embora não saiba se essa cor de fato existe, era como o via. A linha tênue do horizonte se dissipava misturando o mar refletido com densas nuvens. Não iria chover, tampouco fazia frio. Era como um raro presente da natureza que contrariava os apreciadores do poente rosado. Eu estava ali, contemplando os tons que se mesclavam, querendo entrar naquelas águas plúmbeas e tornar-me brisa marítima, etérea. Observei a janela, perdendo-me em noção de tempo,espaço e igualmente faria caso ficasse encantada com uma obra de arte. A janela era a pintura mais perfeita que meus olhos podiam captar. A música a qual tocava, suavemente, nos fones de ouvido, exaltou a vontade interna de cantar pouco mais alto que o habitual. Sorriso se abria nos lábios. Desci da condução e já distante da praia, nova cor ia sendo pintada na imensidão lá do alto: azul-escuro-arroxeado, feito tecido de vestido de gala. Ao chegar em casa, olhei para cima uma última vez. Vênus, único brilho visível, sorria para mim.

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