sábado, 10 de agosto de 2013

Todas tiveram direito à amizade, menos ela. O primeiro amor, a que quis relacionamento aberto, a que traiu: Todas tratadas com carinhos e saudade. Mas ela, não. Passavam dúvidas em seu olhar distante: Por que? Será que ele não a amava como tanto lhe dizia? Será que, se não fosse para ser "sua mulher", de nada lhe servia? Reduzida a nada perante as outras, assim se sentia.  Para ela, nem o pó das cinzas. E ela não queria o pó, queria a coisa transformada. Na impossibilidade conjugal, que florisse o amor em outra forma, a de amizade. Entretanto, não havia essa possibilidade. Que triste era pensar que, de repente, ela não tinha significado na vida dele, sendo que ele tanto a marcou. Desistiria, então, da ideia. Aos poucos, entraria ela com seu mecanismo de fuga: apagar-lhe da memória. Igualmente como ele certamente o fizera, jogaria fora todas as lembranças de amor e construções. Tudo, de agora em diante, seria ruína. Que triste era o rumo das coisas.

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