domingo, 29 de setembro de 2013

A fome daquela carne habita-me e nunca me sacio completamente. Feito fritura, rolo de um lado para o outro na cama, lembrando daquelas mãos que tanto tento fugir. Fecho os olhos, recordo-me dos beijos a borrar meu batom e a sutileza do toque. Gosto do modo como ele me toma calmamente, sem pressa adolescente, como se o mundo pudesse acabar e tivéssemos inventado nosso próprio tempo. Gosto da firmeza sem força bruta, do jeito como ele me segura e geme quando sua língua passeia na minha. O beijo, no fundo, é uma metáfora do ato sexual ao invadir o outro com prazer e cuidado, alternando posições. Aprecio seus silêncios e a maneira como seus olhos de chuva inundam os meus de ressaca. Traio-me todas as vezes que digo que irei fugir, assim como todas as vezes que jurei a mim mesma que nunca ultrapassaria o nível platônico. Como imaginar que pudesse ser recíproca a vontade? Paixão demoníaca que me transforma em pecadora de mim mesma. Chuva e ressaca... e o desejo me impede dormir.

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