Levantou da cama mais cedo que o habitual, mesmo sem vontade. Reforçou o estudo de sua matéria favorita. Sentiu medo. A pressão tomava conta de seus ombros, como se todo o seu futuro se instalasse ali. Saiu à rua, teve sorte ao pegar o ônibus. Chegara atrasada, mas sabia que não era problema. A princípio mal teve coragem de entrar na sala. Suas mãos suavam frias, mas seus pés eram firmes. Fumou um cigarro, olhou para as anotações feitas, entrou.
Ao receber a prova, viu que havia esquematizado todas as questões em seus caderno e, mesmo assim, tremeu. Tinha feito da insegurança, senhora de si. Sua cabeça doía como se fosse ferida por golpes de machado. Desistiu. Entregou em branco e disse que devido a uma indisposição não seria capaz de fazê-la.
Saiu da sala, chorou. Sentiu a necessidade de um colo amigo, qualquer um que lhe dissesse que tudo seria resolvido. Comprou outro cigarro a varejo e viu um travesti sentado no banco. Este lhe sorriu. Sentou-se ao seu lado, contou o ocorrido e viu nos olhos daquele ser um misto de doçura e dor. Pensou que todo mundo se rói por dentro por conta de alguma insegurança. Agradeceu imensamente o conforto dos braços do travesti e partiu para a casa de um amigo.
Estava catatônica. A decepção por si mesma dominava sua mente. Sentia-se fraca e menina, entretanto, a idade e o tempo já não lhe permitia mais isso. Ao entrar no elevador, um bebê dentro de um carrinho, olhou-a durante algum segundo e lhe disse pausada e infantilmente: Mo-ça!
Sentiu-se moça, mas já não era.
Na casa do amigo, tal qual criança, comera doces e dormira exausta de si no sofá.
Acordou, pôs um vinil de música country, mas estava tão absorta que quase deixou o disco arranhar. Pegou o metrô, voltou para a casa quase como levada pelo vento.
Estava entregue às traças de sua mente.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
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