sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Desabafo passageiro

Eu, 25 anos, brasileira, mediana. Medíocre.

Não pinto, escrevo, articulo, danço ou exerço qualquer outra atividade de maneira que ganhe destaque. Talvez o canto esteja acima da média, mas ao me colocar entre cantores certamente ficarei à sombra de uma cortina. O mundo de hoje estimula competitividade, temos que ser bom em algo. Muito bons. Digo que nasci com dons incompletos e vontades tão aleatórias que se perdem. Falta-me paciência, competência para finalizar conhecimentos. Penso que possa ser falta de atenção na infância, mas vivo o presente e entendo que olhar para trás, numa tentativa de recuperação sobre o que não tive, em nada me ajudará.
Olho-me no espelho, massacro o padrão. Não pertenço ao gosto de nenhuma das tribos urbanas de minha geração. Sempre o espectro da "cara de hamburguer" da infância vem me assombrar. Admiro as figuras lânguidas e brancas, dotadas de arte, vocabulário requintado e óculos maiores que o próprio rosto. Uau! Interessantíssimas! Vez ou outra observo as modelos com seus saltos e maquiagens, donas de uma beleza vazia, porém hipnotizante. Tudo em seu lugar. Não estou a negar que tenha meus predicados, mas sinto-me sempre no local errado, na hora errada. Veja bem, esse não é um discurso sobre a beleza e, sim, sobre a imagem dela. A feiura pode possuir uma imagem incrivelmente bela. Também não é meu caso. Estou no limite das coisas. Desde o peso ao talento. Já fui mais forte, já me importei menos. Preciso recuperar a auto-estima que deixei de lado no momento em que passei a amar novamente. Cabeça que se constrói em inseguranças, pifa. Por enquanto, não me sinto o suficiente.

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