terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Maria era nordestina, sonhadora, semi-analfabeta, poetisa e apaixonada. Como poderia fazer poesia, alguns perguntavam, se não tinha o dom das letras? Mas eis que a última qualidade que a descrevia, respondia a questão: paixão. Fazia versos em sua mente e decorava tudinho para que pudesse recitar a quem quisesse ouvir. Nunca se cansava de ver o sol nascer ou morrer e tinha a habilidade de todos os dias descrevê-lo com palavras bonitas e diferentes. Por amar o mar, jogava-se nele e, como numa fotografia, transformava a ação em poema. Sua vida era prosa árida: retirante, ainda menina, foi tentar a sorte na capital. Noite e dia cuidava de criança alheia. Embora não gostasse muito do emprego, era malandra e gostava de cochilar enquanto os filhinhos do patrão liam histórias para ela. Era doce e de ingenuidade que não se vê mais: Não tomava leite e comia manga. Maria ria e seu sorrir encantava a todos que a viam. Tinha umas besteiras de menina que conservava no seu riso, no entanto, já era mulher mais que feita. Gostava de ver as águas em seu nome. Mar que ia.. Mar que ria. Todos que a viam queriam saber o segredo daquela mulher que, com tudo para dar errado, era quase tela em sua forma de viver. A resposta não era segredo, bastava olhar um pouco mais de perto: Maria era cheia de vida.

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