quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Éramos duas, estranhas, iguais em muitos aspectos, diferentes em outros tantos. Ela mais estudiosa, focada, motivada. Eu, passarinho sem foco, cheia de poesia. Ela também tinha um lado poético de mudar as letras das músicas como lhe convinha e eu, de apresentar-lhe novas letras. O primeiro dia que a conheci, ela estava chorando nos braços da minha professora favorita. Mesmo que um pouco enciumada pela atenção recebida, tive vontade de abraçá-la também. Não lembro se trocamos alguma palavra, sei que a partir desse dia, passei a reparar mais nela. Até que um outro, eu a vi falando com uma outra professora que eu tanto gostava e me identifiquei com o fato dela ser parecida comigo, no sentido de conversar mais com adultos que com as pessoas da nossa idade. Aproximei-me. Entrei na conversa. A professora dizia que precisava ir embora para fazer o almoço para as filhas e eu sugeri que fizesse um miojo. Rimos as três. A partir daí, surgiu uma amizade. Descobrimos que morávamos perto, tínhamos gostos parecidos e todos os dias, após as aulas voltávamos juntas. Tínhamos treze anos. A cumplicidade foi aumentando, os segredos divididos, as conversas tão dramáticas e a vontade e força para concretizar todos os sonhos! Éramos duas sonhadoras ingênuas! Fomos crescendo, grudadas feito sardinhas, apesar de outros amigos em volta. Porém de todas as melhores amizades que tive, nunca me senti tão à vontade, compreendida. Amizade com ela é como ter uma casa, mas passar mais tempo viajando e, ao retornar, tudo permanecer igual. Segurávamos a barra uma da outra, confusas que fomos, decidimos que nos tornaríamos freiras. Entretanto, faltou vocação para ambas: viramos freiras somente em peças religiosas da escola. Ainda bem! Depois, veio a faculdade, as duas queriam ser professoras, ela de português, eu de filosofia. Ela se formou e leciona para crianças, eu mudei de ideia mil vezes e embora ainda não tenha me formado, dou aulas de inglês para crianças. Não nos vemos sempre, mais ai, que saudade que sinto! Hoje conversamos um pouco e ela me disse que irá se casar. Meu olhos estão mareados de felicidade até agora e, por isso, acabei escrevendo estas linhas tão mal-escritas: como um brinde à felicidade de uma das melhores amigas que eu poderia ter.
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