Arde o grito preso na garganta. Não cabendo em si, deseja estourar a laringe. De nada adianta chupar um drops. O que ele deseja é enrouquecer a voz de quem o prende ou quem sabe, por lei do mais forte, medir seu som. Arde o sopro que ele não faz ou o muco do choro que não escorre. Ao seu redor, tudo é passivo, tudo é mudo e a cabeça segue baixa. Não há graça no gritar de ombros retraídos. Neste momento, coração vira bumbo e a respiração acompanha a taquicardia que se instala. Em vão. Ainda queima o vão de palavras não ditas, a loucura não demonstrada. Catarse coberta por um manto negro são olhos que teimam em não dormir. Encolhe o grito em sussurros mansos, disfarça. Farsa. Se ele pudesse, explodiria o mundo inteiro. O tempo passa, embaralha tudo... Onde foi parar o grito não dado?
Engoliu-se.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Arquivo do blog
-
▼
2013
(185)
-
▼
janeiro
(12)
- Arde o grito preso na garganta. Não cabendo em si,...
- Mar e eu, eu e o mar Sós No silêncio de vagas Sobr...
- Banhada em espuma de vaga incerta Sou concha de ma...
- Quero virar pedrinha e ser banhada pelas ondas da ...
- Não possuía cor, nome, cheiro, sinestesia. Eram do...
- Amanheceu. Era somente o céu cor de chumbo e o eco...
- Naquela tarde silenciosa, tudo o que podia ouvir e...
- Às vezes a gente se envenena, cria monstros e não ...
- Um rio que se forma nas pálpebras e transborda pel...
- Pode parecer banal pelas vezes que digo e repito o...
- O tempo arde em fome e devora todas as espécies de...
- O chicote estala, resvala no chão. Ao longe, vejo ...
-
▼
janeiro
(12)
Nenhum comentário:
Postar um comentário