segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cobriria o mundo com poesia cotidiana. Em cada xícara de café bebido, usaria a descrição do evento banal para expressar todo o meu querer. Cada letra de música ganharia  novo formato, em ritmos psicodélicos compostos por mim. Todo e qualquer gesto caberia em prosa poética, a qual escreveria somente para ver seu sorriso.
Porém, tem dias que a inspiração me abandona. Sou deixada de lado com excesso de sentimento e papel em branco. Ao invés de poema, o meu olhar lacrimejante, emocionado. Alegria faz o peito de bumbo. No silêncio, só o ressoar da percussão de um músculo involuntário, que por tantos anos sofreu por não te achar. Como não posso pintar o céu com as letras do seu nome, sussurro-o todas as noites, feito uma oração, no exercício imaginativo de ter você ao meu lado. Amo-te com o suor da minha pele. Amo-te de poros abertos, num arrepio sutil. Amo-te com a força de todos os poetas loucos que já não existem mais.
Cobriria o mundo, meu amor, com lindas palavras. Mas isso não é preciso, pois que você já é a minha poesia rotineira.

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