domingo, 30 de setembro de 2012


Culpa flagelante por existir. Nesse momento, a mocinha rasgou, inúmeras vezes, a própria carne e se jogou no mar. Sentiu o sal em suas feridas. "A dor cura", pensou. Então, nadou até sentir que o ar faltava-lhe e imaginou que se se entregasse aos braços do infinito azul, nenhum mal poderia afligir sua mente.
Sentiu o peso do corpo, engoliu água e durante um segundo achou que era chegada a hora. A luz solar devorava-lhe a visão e, nessa agonia de pré-morte, um alívio tomava conta de seus membros dormentes. Havia algo involuntário que a fazia lutar contra a própria vontade suicida.
Enquanto se debatia, podia ouvir gritos e risadas ao fundo, na praia. Felicidade era simples.Disposta a seguir até o final, afundou.
Acordou em um local desconhecido, com conforto nunca experimentado e estranhas sensações.Não era o céu (nem inferno) ou quaisquer dimensões ditas existentes por aí...
Tinha sido salva. Arrancaram-lhe a morte. Os pensamentos eram velozes, corria-lhe todo um monólogo naquela areia nunca vista. Ao mesmo tempo que fora bruscamente interrompida por um cheiro de peixe sendo assado.
Havia um pirata ao longe, de olhos castanhos que escondiam o verde do fundo das águas. Cais e mar.
Ela, estranhamente, sentiu-se em casa.
Um abraço seguido de um beijo...


E fora salva dos perigos de si mesma.

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