Primeiro vieram as bestas aladas que cuspiam fogo e sangue por onde passavam. Depois, com o chão composto de cinzas e vísceras, veio a dor.
Nesses tempos, respirar era difícil. A raiva não permitia. Todo o céu era laranja. Não havia o silêncio interior, só o que precedia o grito.
Pássaros sobrevoavam cabeças, com garras dilacerantes e impediam que o sono chegasse. Porém, a agonia era imperceptível. Todos se exibiam sem se notar.
Os pés atropelavam restos de outros pés, enquanto as mãos estrangulavam o resto. Era nó, era estreito, era forca.
Era nojo, era raiva, era tédio e desprezo.
O mundo era feito de gás tóxico, enquanto julgava-se ser apenas lacrimogêneo.
sábado, 8 de setembro de 2012
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