terça-feira, 13 de novembro de 2012

Alice era uma jovem nordestina, criada conforme os ensinamentos da igreja. Nunca fora bela, possuía corpinho franzino, feito osso de garça. Reprimia palavras, desejos, sentimentos. Tinha pavor da ira divina e, como consequência, de tudo que era natural ao humano. Estudou para ser professora, dizia que era por amor ao ofício, porém, na escuridão do quarto de pensão, embaixo da coberta e segurando uma lanterninha fraca... gostava de se tocar pesquisando em dicionários etimologias de palavrões. As palavras eram sua compulsão: quão mais chula que pesquisava, regojizava-se em mil sensações de torpor e calafrios.


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