segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quero uma rede à beira d'água e ser embalada pelas ondas, feito cantiga de criança. Quero a brisa morna, gostosa e preguiçosa, lambendo minha face. Um violão ao fundo, quem sabe... Carambolas, sucos de fruta. Ser ritmada pelo balanço, o balanço, o balanço... Silêncio dos corais interrompido pela zoada dos pássaros. Retiro. Fuga. Meu desejo é a quietude da mente. Retirar todos os sentimentos que causam conflito... Para que tanto conflito? Rugas, choros inúteis... Quero o cais, a ponte, o mar. Nadar perseguindo o infinito, boiar quando o fôlego me abandonar. Retornar à rede, seja ela de índio ou de pesca. Virar paisagem da paisagem. Meu desejo é o que restou da sombra fresca das árvores, o assobio que ninguém ouviu, os grãos de areia que ainda não pisei.

Meu desejo é a calmaria do pescador no segundo que precede o sono.

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