quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O silêncio da manhã não é o mesmo da madrugada, mas possui lá o seu valor. O dia se estende, as horas se alongam, a vida é confortada como se fosse maior. Nessa hora, não sei se as pessoas já saíram para seus trabalhos e, portanto, ausência de ruídos no percurso ou se aproveitam minutos a mais de sono. Não ouvi as primeiras xícaras, nem canto de pássaros, embora veja alguns pombos, ratos voadores, sobrevoando minha janela. Na dúvida de um café, sento e aprecio o estranho momento. Nessa distração, invadem-me os tilintares de louça, a rinite alérgica alheia, os passos brutos, as vassouras do vizinho. Daqui a pouco, operários - por que tanta obra?- bem-te-vis despertam em suas infinitas repetições. O mundo caótico, barulhento e infernal surge lá fora.  Fui expulsa do dormir, com pesadelos que me mantém acordada. Vida faz convite. Ainda que contrariada, encaro. É dia. Bom.

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