domingo, 4 de novembro de 2012

Copia a matéria, se distrai com algum pensamento, volta ao caderno, tenta fazer letra bonita. A professora se aproxima, pára em sua frente e a observa. Nunca tinha sido reparada anteriormente dessa forma. Achou logo que estava a fazer algo errado. Encara sua mestra, sorri de um jeito interrogativo. A mulher antes que a menina dissesse qualquer coisa, diz: Seu rosto é muito bonito! A mocinha se assusta. Nunca ninguém havia dito isso e retruca: Não é não... A outra repete: É sim! Seu rosto é bonito pra caramba! Ela pára, cora, fica sem graça e aceita em silêncio o elogio. Acaba por esquecer de copiar o escrito do quadro, chega baixinho na mesa maior, onde a professora está e pergunta: Por que você me disse isso? E recebe como fora: Que mania de perguntar tudo! Disse porque eu disse, porque é o que vejo!
Sentou-se novamente. Sorriu. Entendeu. As coisas quando sentidas não precisam fazer sentido e tornam-se lindas quando expressadas. Como lição, ela, que secretamente guardava elogios aos outros dentro de si, passou a falar também quando via as coisas.

Mais que português, aprendera a colorir o mundo.

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