sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Despe o meu véu, beija-me a face. Não estamos no altar, mas na praia, sem juras. A areia é testemunha da cumplicidade que se forma, silenciosa. Ouve: ondas. Arrastam, devolvem, puxam, deixam. Assim são os sentimentos ainda não verbalizados. São ondas que os pés não tocam. Pousa seu corpo no meu, veste-me de carícias, desfaz a ressaca. Faz-me sorrir com esses seus olhos que mudam de cor. Aperta-me num consolo. Talvez já tenha dito que andei mil léguas, feito bicho arredio, defendendo-me contra todos os perigos. Ensina-me a ser cuidada, protegida, pois ainda tenho o ataque de feras que metem os dentes por medo e não fome.
Em grãos de montanha se cria a areia. Aprenderemos um com o outro. Seremos infinitos.
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