quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Descalça, vestindo uma saia curta e sentindo muito frio, ela corria. De quem ou porquê não se entendia de imediato. Apenas corria, de forma cada vez mais veloz. O relógio com o pesaroso tempo, debochava da mulher, talvez menina, pois por mais que tentasse não alcançava. Onde ela queria chegar? Talvez não soubesse. Chegava em seu limite, descansava num caminhar trôpego, sentindo seu pulsar como bomba-relógio. Seguia. Seus olhos embotados de frieza e cansaço eram reflexos da solidão que lhe cercava. Da sua boca, fora a expiração esporádica, nada mais saía. Era composta de sentimentos banais como medo, inseguranças e solidão. Esta última, era senhora que não saía de dentro de si. Na madrugada, bem antes de raiar o dia, o passo era maior. A escuridão demoníaca lhe sufocava, talvez fosse o dia a direção almejada, talvez fosse somente a luz e seu calor. Apesar do tremor, desejava se despir de tudo, agarrar o mundo, sentir-se acolhida. Ser engolida pela terra, de forma que tivesse carinho a qualquer hora que precisasse. Mas a maldita solidão, esse espectro infernal, apenas chegava quando todos já haviam ido dormir. Quando os ouvidos tornavam-se surdos, por opção do silêncio, quando a boca pudesse proferir hiatos, mas nulos. Senhora com olhos de pedra, mãos geladas, manto negro e abraço pesaroso. A menina, talvez mulher, não a temia, apesar de, quando em vez, sentisse demasiadamente sua presença. Quando era assim, corria, como se tivesse não asas, mas motores nos calcanhares. Questionava o tempo e a si mesma. Sentia falta de ouvidos atentos, embora não tivesse tamanha boca para preenchê-los. Inventava palavras, guardava-as em pensamento. Sorria para si. Tomava gosto pela corrida. Deixava para trás, pouco a pouco, os pensamentos. Quase atingia o pódio do esquecimento das próprias dores.


Entretanto... tropeçava, atrasava-se e seguia como um pequeno roedor em roda de gaiola.

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