quarta-feira, 20 de março de 2013

A poesia passou a me habitar desde muito cedo. Independente de concepções de "bom" ou "ruim" para os olhos mais críticos, fui conhecendo a mim mesma através dela. Por poesia, não digo simplesmente o ato da escrita e desabafo, mas todas as coisas belas que encantam. Com isso, quero dizer, por exemplo, uma fotografia, uma cena, um gesto delicado, um passarinho que pousa... Tudo que tem a capacidade de encantar e bailar em nuvens, para mim, é poético. No entanto a realidade é um deserto quente e árido. O mundo real é bruto e diz que assim devemos ser. O meu amor pelas coisas despista-se em meu olhar perdido... Ninguém sabe: às vezes gosto de cantar somente para mim, na minha mente. A melodia de palavras e imagens faz com eu sinta-me tão leve, que poderia ser capaz de flutuar. Às vezes, eu queria poder morar dentro de mim, não como fuga da realidade, mas por encantamento pelas coisas mais lindas que sei que existem e quase ninguém vê. Assim, repouso a cabeça sobre o travesseiro e o meu destino vira a eterna capacidade que nós temos em sonhar.

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