sexta-feira, 1 de março de 2013

- E quando você tiver sessenta anos? Quem você vai ter? Do jeito que você é, vai acabar sozinha.

Nada disse. Não tinha o que dizer. Primeiro pela discordância, segundo porque nunca temi solidão. Na verdade, nunca acreditei que ela fosse possível em minha vida. Acredito que as pessoas são livres e não devemos prendê-las em jogos para mantê-las junto a nós. Temos amizade com o outro, porque algo mágico e invisível nos une, seja em cumplicidade, afinidade, afeto ou tudo junto. Quem quiser me amar, pois me ame. Assim, como se o laço existir, serei recíproca. O que se afasta e vai, embora possa doer no início, se se mantém distante, é porque algo se perdeu, rompeu. Isso pode ocorrer de forma natural ou devido a desgastes, mas sem significar que nunca mais será novamente. A vida também tem seus mistérios e cada um, o próprio tempo de digestão. As relações humanas, hoje em dia, são frágeis. Raras são as que seguem durante os anos e se mantêm simplesmente pela força da construção e pela vontade de continuar caminhando ao lado. Sendo sincera, estas são as que prezo e me interesso. É uma pena, mas nada senti nessa ruptura. Nada senti, porque já não era. Não sinto que acabarei sozinha, pois acredito que o que é verdadeiro permanece e, se acaso quebra, o tempo conserta.

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