Quero dormir, o sono não vem. Rolo na cama, minhas pálpebras não se fecham. Quero acordar bem disposta, brindar o novo dia. Nada. A insônia e ansiedade matam minha madrugada. Quero ir para rua, quero correr a lagoa, quero agitar-me até cansar-me. Mas permaneço na cama, olhando para cima. Na minha visão, um armário de madeira. Tudo em volta é feito de madeira, incluindo a parede a qual a cama é grudada. Sensação de caixão. Detesto tanta madeira. A noite fica mais funda e esse pesar de sepultamento me domina. Enterraram-me viva, apago a luz, jogam-me areia. Para quê tanta madeira? Cadeiras com acolchoado cor-de-vinho. Definitivamente, sinto-me morta. Aqui tudo me sufoca e consome. Não há descanso nem paz. Fecho os olhos, não sonho. Desaprendi a dormir. Apenas ensaio minha própria morte quando chega o cansaço.
Para ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=udHofgHt9Ik
sexta-feira, 15 de março de 2013
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