sexta-feira, 29 de março de 2013

Os pés flutuam leves na poeira agitada pelo ar. O corpo, sem dor, movimenta-se numa dança própria. Um véu cobre braços, pernas e esvoaça. Bailarina solitária desconhece os limites do som. De olhos cerrados, num quarto escuro, tudo é leveza. Lépida, encanta a si mesma. Está na corda bamba entre lucidez e sonho. Sorri, abraça a segunda opção. Quer tirar todo o cansaço que impregna seus ombros. Quer tirar todo o peso que tortura suas costas. Num instante, encontra o compasso certo do respirar e o pesar cessa. Suas mãos são pequeninas, suaves. Seus dedos, embora tortos, dão um ar de peculiaridade. O maldito espelho torna-se amigo. Sente vir a estima. Depois de muito tempo, fixa seu olhar no reflexo e gosta. Lembra que possui olhos encantados, nítidos a quem os observar, desde sua infância. Os músculos da face se contraem em riso. Há vida. Era como um caule de coloração marrom que quando cortado, verifica-se o verde em seu interior. Mesmo com luzes apagadas, estava iluminada.

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