sexta-feira, 8 de março de 2013

A vida são trilhos perpétuos que apenas seguem. Uma vez que entramos no trem, não sabemos mais nada. Nascer é entrar nesta condução. Partimos em direção ao nada, sem saber o que pode nos acontecer. Acostumamo-nos com o caminho. Descobrimos, com o tempo, que ele é até mais importante que saber exatamente o final. O destino, todos sabem, no fim das contas, é a inevitável morte. A opção de cada um é o que fazer enquanto viaja. Uns dormem, acordam, comem. Outros, além das necessidades básicas apreciam a vista, passivamente. Outros pintam tudo o que vêem da janela. Alguns,  percebem que ocorrem deslizamentos na estrada, paradas bruscas, assustam-se e preferem esconder-se em algum vagão desabitado. Os mais raros, saltam em alguma parada, conhecem pessoas, contam histórias do que vivem e entram novamente no trem. Sim, ninguém pode escapar de voltar à travessia, já que é a própria vida. Alguns, nessa metáfora, poderiam associar o maquinista a Deus. Não eu. Não associo assim. Pra mim, ele é o próprio motor, o movimento natural das coisas. Algumas coisas não estão ao nosso alcance, porém, não é motivo para que desistamos.

(continua... ou não)

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